domingo, agosto 20, 2006

Barata seria

Se uma barata fosse
Que diferença faria?
O esgoto meu lar seria
Escuridão a luz do dia.

Se uma barata fosse
De restos viveria
Como de restou sou
Pouco me importaria

Se uma barata fosse
Ao menos asas teria
E pra longe voaria
Eu e a melancolia...

Mas se uma barata fosse
Cores da borboleta perderia
Veludo das asas
Casca dura se transformaria

Dureza de casca
Perderia a pureza
E faria de mim fortaleza
Fétida, mórbida, vazia...

5 comentários:

Tatiana Mamede disse...

Você vazia: Inconcebível.

Mas a poesia ficou show, adoro as suas associações, simples, mas de uma profundidade absurdas...

Beijos.

Roy disse...

Inconcebivel mesmo! Amei este poema, juro, que coisa kafkiana doida! (K)

Dinha disse...

Tati e Roy...


Obrigada meus lindos! É vazia num sou não, pq transbordo e qdo transbordo da no que da...

Bjos

danirush disse...

Bem... estou sem palavras... os teus poemas são lindissimos, de uma grande qualidade mesmo. Eu também escrevo - agora só mesmo prosa - e adoro ler e dou-te esta garantia: "simplesmente espectacular". Muito muito bom. Pensa em reuni-los e em enviá-los para uma editora. Excelente Dinha. Obrigado pelo teu comment, porque sem ele eu nunca teria tido a oportunidade de visitar um blog onde reina a magia - o teu. Beijos e tudo de bom para ti.

Gericão disse...

Viu como é bom participar do concurso literário? rsrs

Beijo grande, beijolande,

minha borboleta.