quinta-feira, março 09, 2006

Pedaços de Mim.

Nem tudo são flores,
Hoje vejo os espinhos
Que antes não via
Temo muitas dores
Que antes não temia
Uso cascas, redomas, casulos
Que antes ignorava

Pedaços de Mim...

Me escondo em portas trancadas
Uso lágrimas como escudo
Permaneço, assim, no escuro
Desta vida tão rasgada
Outrora, pelo ciúmes, aprisionada
Agora a clausura da liberdade apavorada
Chove lá fora,
Águas de desabafo,
Um mar de desespero
Lembranças amargas
Que dizem quem sou
Tento desatar as amarras
As preciso, são minhas defesas
Devo a elas me entregar
Mas não me dôo

Pedaços de Mim...

Penso: se me trancar
Logo o sossego vira
A calmaria de um ser sem fim
Mas o que faço é enganar
Não! Não! Não a mim
Me iludir jamais
Falsas realidades
Inteiras mentiras
E meias verdades
Me trair nunca mais
Sou fiel a mim mesma
Preciso sempre ser

Pedaços de Mim...

Não aceito essa mansidão
Nada mais que falsidade
Outra doce ilusão
A cegar-me diante a verdade
Um medo dói mais que a dor
A minha segurança, o meu temor
O meu esconderijo, um precipício
No meu olhar a solidão
Um vazio, inócuo, inerte
Eu mesma, o meu vilão
Me condeno a viver só
Na penumbra da noite
Me escondendo do dia

Pedaços de Mim...

Não! Não posso me jogar
Ceder a este destino
Não vou, não quero me entregar
À angustia me conduzindo
Conflito de sentimento
Me proíbo a felicidade
Evitando o sofrimento
Fuga constante do amor
Por puro apego, comodidade
Acostumei-me com a dor

Pedaços de Mim...

Vejo os dados lançados
Tantos planos construí
E os tenho estraçalhados
Como posso desistir
Sem nuca ter amado?
É, de fato,
Minhas lágrimas, meu escudo
Mas deixa-me sonhar
Uma prece, apelo, pedido
Que me perca em devaneios
Com a luz do sol a iluminar
Das rosas só o cheiro
E que as possa tocar
Que as lágrimas sequem
E que comece a enxergar
Os sonhos perdidos
Os sentimentos escondidos
E desde logo volte a amar

Pedaços de Mim...

Não às palavras
Não aos amores ressentidos
Não às lágrimas caídas.
Sim ao desejos
Quero o jamais esperado
O nunca sentido
E sempre sonhado.


Amanda Oliveira
(08/03/06 21:50 h.)

4 comentários:

Roy disse...

Voce sempre me surpreende com a simplicidade de suas palavras mescladas a complexidade da expressao de seus sentimentos. For'ca menina, sempre assim!

Dinha disse...

Ah! Lindo, surpreendo nada, é que vc entende o que escrevo!
Um beijo, obrigada.

Roy disse...

Cade mais poesia? Mais poemas, mais publicidade?

Dinha disse...

Ah menino, eu ando tao sem tempo pra poesia q me faz uma falta danada!!!
Bjo