segunda-feira, setembro 18, 2006

Sorrindo

Sorriso sem boca, sim
Afinal pra que alvos dentes
Se o claro olhar mais diz?
De adianta uma ponta a outra
Se o coração engana?
Talvez pra esconder o que sente... (ou que é)
E com sorrisos e magia,
Fortaleza se transforma.
Palavras e encantos,
Poeta se constrói.

No meu mundo
Sou o que quero...
Escondo fétidas feridas
E com um sorriso me enfeito.

Dinha Oliveira

domingo, agosto 20, 2006

Barata seria

Se uma barata fosse
Que diferença faria?
O esgoto meu lar seria
Escuridão a luz do dia.

Se uma barata fosse
De restos viveria
Como de restou sou
Pouco me importaria

Se uma barata fosse
Ao menos asas teria
E pra longe voaria
Eu e a melancolia...

Mas se uma barata fosse
Cores da borboleta perderia
Veludo das asas
Casca dura se transformaria

Dureza de casca
Perderia a pureza
E faria de mim fortaleza
Fétida, mórbida, vazia...

quinta-feira, julho 20, 2006

Meus passos

Vilã de mim mesma
Eu me roubo, me estupro,
me mato.
Das cinzas, renasço.
Sigo em frente, sou meu carrasco.

Ando contando passos
Batendo asas
Colhendo lágrimas.
Vou rabiscando meus traços

Embaralho,
Misto,
Confuso,
Descompasso.

(Dinha Oliveira 20/07/06)

Quartzo Verde

Pedra cor,
Cor de pele que toca
De braços, corpo apertar.

Pedra aroma,
Aroma de gesto que encanta
De cheiro, sentidos despertar.

Pedra sabor,
Sabor de mordida, que boca!
Gosto de beijos, lábios molhar...

(Dinha Oliveira 17/07/06)

Coração Selvagem*

Não há como penetrar
Coração arisco, assustado
Selvagem, refuga
Desprezo, ataca

Joana bem sabe...

"Difícil aspirar as pessoas
como aspirador de pó"
É uma dor cansada
Sofrida e calada
Uma lágrima simplificada

Joana bem sabe...

O vazio do seu coração
A necessidade de preenchê-lo
E a certeza do sempre vão
Por isso os pensamentos
Que inundam o seu ser
Transbordam em sua mente

É Joana bem sabe...

Não há como adentrar
O máximo é perto ficar
Perto do coração selvagem...


(Dinha Oliveira 19/07/06)

*inspirado em Clarice Linspector

sábado, julho 15, 2006

O que seguras?
Grito mudo.
O que olhas?
Visão torpe.
O que sonhas?
Desejos vãos.
O que queres?
Sentidos não!

(Dinha Oliveira 14/07/06)

Avesso

Do avesso que estou, reconstruo
Da lágrima que cai, engulo
Do sol que nasce, entardeço
Do dia a clarear, escureço
Da lágrima que torna a cair, esqueço
Do sentimento que não quero sentir, emudeço...

(Dinha Oliveira 14/07/06)

quinta-feira, julho 13, 2006

Que morram

Que morram as palavras
Que esmaguem os sonhos
Que retalhem os apelos
E se matem os devaneios

Que estrangulem os planos
Que enforquem os carinhos
Que esfaqueiem os cuidados
E se matem os desenganos

Que desfaleçam as esperanças
Que pisoteiem as lembranças
Que sufoquem os instintos
E se matem os destinos

Que se esqueça com a morte...

Dinha Oliveira

terça-feira, julho 04, 2006

Torto

Esse meu jeito
Impulsiva
Saio atropelando tudo...
Não queria machucar ou ferir ninguém
Queria só acalmar meu coração
Acalentar meu peito
Sumir com a dor
Meti os pés pelas mãos
Não queria decepcionar ninguém
Não queria que tomassem por suas minhas dores
Queria só sumir
Apagar
Não ver...
Cada um tem um lugar ímpar em mim
Cada particularidade, admiro
Não quero perder mais ninguém
Só preciso me encontrar...

(Dinha Oliveira)

Poeta da Dor

Palco imaginário
Platéia invisível
Aplausos! Um viva!
Seu show...

Palavras fingidas
Poeta da dor
Que engana
E diz que ama

Segredos de coxia
Ilusões da alcova

Gloria! Fama! Holofotes
Intocável...

(minha vida, bastidores).

Dinha Oliveira

domingo, julho 02, 2006

Síndrome de Lagarta

Arrasta, rasta, rasta, caminho de fel
Lagarta, inteira, por toda vida
Avante! Rumo ao léu
Presa, condenada desde a partida

Segue com seu pranto amargo
Colhendo olhares de desprezo
Segue contando seus passos
Desejando, um dia, pouco zelo

Interrupção! Casulo, glória, transformação
Asas, vôo, caminhos sem chão.
Universo todo a conhecer

Arrasta, rasta, rasta, caminho sem fim
A borboleta que precisa se sentir lagarta
Pr´um dia mais viver...

(Dinha Oliveira)

Reencontro

Suas mãos a percorrer meu corpo
Apertando-me contra seu peito
Perco-me em seus braços
Meu pescoço
Meu colo
Meus seios
Lábios quentes a passear
Reexplorar o que já foi seu
Redescobrir cada gemido que já ouviu
Ressentir o tremor da pele
O calor dos corpos úmidos
O suor de nossa junção
A tranqüilidade de cada movimento
Sem pressa...

O Reencontro.

(Amanda Oliveira 02/07/06)

domingo, junho 18, 2006

Pegue um pouco da brisa do mar
Misture à terra vermelha destes pastos
Colha uma gota da chuva de março
E de as fadas deste céu azul a voar

Com mãos delicadas e pequeninas
Cores, formas e aroma se põe a moldar
Quantas risadas, ninfas meninas!
Pr´um tanto de emoção se formar

E assim, nos encantos da magia
Envoltos em toda poesia
Os sentimentos se tornam reais

Contudo, esbraveja a razão
Traz na alma a desilusão
E faz dos sonhos coisas banais...

Silêncio

Um silêncio que sufoca
Que agride e incomoda
Turvando o meu prazer

Um silêncio complacente
De uma mente delinqüente
Invadindo o meu ser

Um silêncio torturante
Que faz uso o militante
Nesta guerra do querer

Um silêncio arrogante
Tem nos olhos o meliante
Que me furta sem eu ter

Um silêncio provocado
Por um ódio mastigado
Que me fere sem saber

Um silêncio que escuta
Meus gritos de lamuria
Sem que nada possa fazer

Um silêncio que abriga
Os desejos de uma vida
Impedida de viver

Um silêncio não ouvisse
Se mil vezes surda fosse
Evitando mais sofrer...

Amanda Oliveira

sexta-feira, junho 16, 2006

Surpresa

Carinho em abraços
Abraços em palavras
Palavras em beijo...

Beijo que é teu
Palavras pra ti
Abraço teus braços
Carinho teus olhos

Uma palavra, carinho
Um gesto, surpresa
Um beijo, sua boca
Abraço você!

Amanda Oliviera 14/06/06

quinta-feira, junho 15, 2006

Presente de Dia dos Namorados atrasado também vale...

Namorados

- Carlos Drummond de Andrade -

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter namorado....
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo...
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos emedo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fadas. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma nuvem de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases e palavras de galantearia.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário, pra fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

quinta-feira, junho 01, 2006

Camões hoje, como seria...

Outro nome ao amor daria
Sentimento que fere e machuca
Faz de conta que é alegria
Mas se amarga na tortura

Diante tamanha desilusão
A métrica pouco importaria
Pois daria asas a razão
Sem perder a poesia

Esconder-se-ia na escuridão
E aos poucos se desfazendo iria
Destruindo toda a criação

Se vivo ainda fosse, não aguentaria.
Ver tamanha distorção.
Daquilo que chamou amor um dia.

(Amanda Oliveira maio/06)

Prece

Devolva agora a minha vida
Traz-me de volta a poesia
Retorne a mim o meu encanto
E desde já que suma o pranto

Leve embora a dor maçante
Traga seus olhos, olhar pedante.
E seu abraço, falso mistério.
Me envolva agora, amargo tédio.

E desde logo quebre a magia
Entorne toda a poesia
E o meu corpo, deixe em paz.

Agora suma da minha frente
O seu silêncio tão deprimente
Porque pra mim já tanto faz...

(Amanda Oliveira maio/06)

domingo, maio 28, 2006

Mãos Atadas

Composição: Simone Saback

Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê


Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte ou
azar e amar
Simplesmente amar você



http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&nomeplaylist=008901-1_04

Me sinto assim...

sexta-feira, abril 14, 2006

Banho de Chuva

Banho de chuva
Água
Limpa
Molha
Lava
Banho de chuva
Beijo
Água
Pura
Doce
Molha
Banho de chuva
Amor
Fogo
Apaga
Ascende
Banho de chuva
Chove
Lagrima
Gota
Ausência
Banho de chuva
Musica
Sede
Alma
Pura
Banho de chuva
Chove
Gota
Calma
Limpa
Banho de chuva
Paixão
Antiga
Nova
Sempre
Banho de chuva
Raio
Relâmpago
Medo
Trovão
Banho de chuva
SEMPRE BANHO DE CHUVA !

(Amanda Oliveira)